13/01/2016
O sertão e seus juízes

Durante três dias percorri o Estado à procura de boas práticas desenvolvidas por juízes paraibanos. Eu vi bem mais que isso. Eu vi juízes guerreiros. Juízes que permanecem em seus gabinetes mesmo após a hora do expediente forense. Que acumulam mais de uma comarca. Conheci de perto juízes que tomam para si os problemas do cidadão e que vão além de suas atribuições para prestar um bom atendimento.
 
Vi juízes que não esperam pelo dever do Tribunal de Justiça em oferecer condições de trabalho, desde algo mais simples, como material de expediente. Alguns que não contam sequer com uma impressora em seu gabinete, muitos com computadores obsoletos. Juízes que convivem com uma internet a passo de tartaruga e com metas que precisam ser atingidas em prazos corridos.
 
Encontrei juízes com excelentes idéias administrativas, que poderiam auxiliar e promover uma boa gestão do Judiciário, mas que não são ouvidos pela cúpula do Poder.
 
Conversei com juízes que não ficam de mãos atadas, que arregaçam as mangas, porque são juízes vocacionados, que se envolvem com seus jurisdicionados, defendem a Constituição e querem ver o Direito ser colocado em prática.
 
Me preocupei ao ver juízes em fóruns totalmente desprovidos de segurança, a mercê da violência e do despautério de qualquer apenado ou até mesmo de uma parte descontente com o resultado do seu processo.
 
Reconheci juízes corajosos e dedicados, que tomam pra si as dores do sertanejo. Vi juízes que lutam por melhores condições de trabalho. Juízes preocupados com a estrutura física de fóruns – “o cidadão chega e se depara com cadeiras quebradas para sentar e aguardar sua audiência”.
 
Eu vejo juízes que constantemente são atacados pela mídia. Na Paraíba estes profissionais trabalham sim todos os dias da semana, porque se assim não o fizerem, não dão conta de atender todas as comarcas para os quais são designados. Caro jornalista, quando não encontrar um juiz em sua unidade não saia espalhando poraí que ele “não trabalha”. Pergunte quantas comarcas ele atende e ligue para a unidade da cidade vizinha, certamente ele estará lá, debruçado sobre pilhas de processos. Ou quem sabe esteja colocando em prática mais uma idéia para fazer rodar a máquina do Judiciário, apesar dos pesares...
 
Eu sei que um novo Judiciário é possível. Já temos o principal: uma força de trabalho dedicada, inteligente e ávida em busca de melhorias. Precisamos valorizar nossas peças fundamentais.
 
Precisamos ouvir o juiz de primeiro grau. Precisamos disponibilizar recursos para que levem adiante suas metas. Para que possam cumprir sua missão.
 
Eu vi juízes dignos de respeito e admiração. E me orgulho de ter à minha disposição um Judiciário composto por uma mão de obra admirável e, sobretudo, tão vocacionada.
 

Autor:   Juiz Horácio Melo, presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba

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